Mãe atípica e moradora do Sítio Coqueiro, localizado na zona rural de Mossoró, Mara Shirley esteve na Câmara Municipal, na manhã desta quarta-feira (22), e utilizou a Tribuna Popular para denunciar a falta de professores na localidade onde mora.
Segundo ela, a filha está matriculada em uma unidade do Núcleo Municipal de Educação Rural. No entanto, relata que a ausência dos profissionais desde o início do ano letivo tem impactado diretamente o aprendizado e a rotina da filha e de outras crianças, que precisaram ser deslocadas para outras escolas para amenizar o prejuízo educacional.
“O que a gente tem passado é uma situação de angústia e tristeza. Nunca vi, em uma escola da zona rural, tanta falta de respeito com os alunos e com os pais. Desde o início do ano, no 1º e 2º anos, estamos sem professores. Para que as crianças não ficassem atrasadas, a diretora sugeriu que a gente as colocasse ‘emprestadas’ em outra escola, que integra o núcleo das escolas da zona rural. Eu fui a última mãe a levar minha filha, pois não queria tirá-la de um local para colocá-la em outro, até porque ela é autista, grau 2. Vim até a Câmara dos Vereadores para que eles possam fazer algo por nós”, afirmou.
O assunto gerou debate entre os vereadores das bancadas de situação e oposição durante a sessão. De acordo com o vereador Cabo Deyvison (PL), da oposição, a situação é verídica e foi presenciada por ele próprio.
“Ela falou a verdade, eu constatei in loco. Fui até lá e vi crianças com transtorno do espectro autista — cerca de seis — sem auxiliares e sem professores em sala de aula desde o início do ano letivo”, afirmou.
Já o vereador Raério Araújo (União) informou que, diante da denúncia, já iniciou a adoção de medidas para sanar o problema.
“Enquanto ela falava, entrei em contato com o adjunto, Adler (Severiano), a respeito dos professores da zona rural. Ele informou que estava em reunião com alguns novos professores para assumirem vagas na zona rural. Espero que isso venha a ser resolvido. É um problema antigo, mas estamos confiantes na solução”, afirmou Raério Araújo, vereador da bancada da situação.
A moradora acrescentou que alguns professores chegaram a ser escalados para a região, mas acabaram desistindo devido a questões de logística e custos.
“Quando os professores vão pra lá, não querem ficar pela questão da distância, pelo valor da verba para transporte. Então, eles não ficam. Já foram três professores na semana passada, mas nenhum ficou. O que eles me dizem é isso. Por outro lado, a Prefeitura também não procura renovar o contrato dos que estão lá e querem ficar. Foi essa a minha sugestão na tribuna, que renovassem com os professores que moram nas comunidades, e o que eles me dizem é para aguardar. Até quando? até a escola fechar?”, questionou.
A respeito da reivindicação, a produção do Jornalismo TCM solicitou um posicionamento oficial da Prefeitura de Mossoró, que se manifestou por meio de nota:
“A Prefeitura de Mossoró destaca que convocou professores aprovados em concurso público para atender à demanda da rede municipal de ensino.Os professores aprovados estão se apresentando dentro do prazo legal e estão sendo encaminhados para as escolas, conforme a necessidade de cada unidade.”
Secretaria Municipal de Educação
22 de abril de 2026



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