O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem direito a um dia de descanso. A declaração representa uma mudança de posicionamento em relação às críticas feitas pelo parlamentar à proposta na semana passada.
A PEC, apresentada por parlamentares de esquerda, está na pauta do Senado Federal e tem previsão de votação em primeiro turno nesta quarta-feira (14).
O anúncio foi feito após Flávio visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado em regime domiciliar. O presidenciável vinha sendo cobrado pelo adversário na disputa eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a se posicionar sobre o tema.
Em entrevista após a visita, Flávio afirmou que pretende acompanhar a vontade da maioria dos brasileiros favoráveis à mudança na jornada de trabalho.
“Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1. Vou votar a favor do fim da 6x1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, declarou.
Senador defende modelo com maior liberdade de negociação
Apesar de anunciar apoio à PEC em discussão no Congresso, Flávio Bolsonaro afirmou que considera mais adequada uma proposta que amplie a liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores, permitindo maior flexibilidade na definição dos horários e da carga horária.
Segundo o senador, o modelo em debate não contemplaria adequadamente situações específicas, como as de profissionais que trabalham em regime de home office e de mães que precisam conciliar a jornada profissional com os cuidados dos filhos.
“Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho, só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar de tarde? Vai continuar engessada a jornada dela?”, questionou.
O candidato também classificou a discussão sobre a jornada de trabalho como um “processo de evolução” e defendeu a ampliação do período de descanso dos trabalhadores.
“A gente tem que fazer com que o trabalhador tenha direito a uma folga maior, sim”, afirmou.
Rogério Marinho defendia adiamento da votação
Na semana passada, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, criticou a discussão da PEC neste momento e afirmou que o debate “não faz bem para o país”. O parlamentar também articulava o adiamento da análise da proposta.
Marinho é autor de uma iniciativa alternativa, considerada por Flávio como superior ao texto atualmente em discussão no Congresso Nacional.
Ao apresentar sua proposta na semana passada, o presidenciável defendeu que os trabalhadores tenham autonomia para escolher seus horários, com a possibilidade de trabalhar quatro horas pela manhã, quatro horas à tarde ou até mesmo nos fins de semana, conforme os acordos estabelecidos.
A mudança de posicionamento de Flávio ocorre em meio à disputa presidencial e à pressão para que os candidatos apresentem suas posições sobre o fim da escala 6x1, tema que ganhou espaço no debate político nacional.
Por Guilherme Fernandes








