segunda-feira, 2 de março de 2026

Um mês da Operação Mederi; o que se sabe sobre as investigações da Polícia Federal.

Foto: Reprodução

27 de janeiro de 2026, primeiras horas do dia, o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) era acordado por agentes da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da República (CGU) em seu duplex no condomínio Ninho, zona leste da cidade. A partir dali, tornava-se público o maior escândalo de corrupção da história recente da administração pública municipal de Mossoró.

A Operação Mederi, autorizada pelo desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), desbaratou um esquema de desvio de dinheiro da saúde pública, por meio de contratos fraudulentos e da não entrega de medicamentos comprados pela Prefeitura de Mossoró. A operação da PF e CGU também alcançou as prefeituras de Paraú, Serra do Mel, Tibau, José da Penha e São Miguel.

Um mês após a operação, completado nesta sexta-feira, surgiram novos fatos e personagens no curso das investigações, que aproximam ainda mais o esquema criminoso do ambiente político-administrativo de Allyson Bezerra. Ele nega ter qualquer participação no esquema criminoso e diz que está sendo alvo do “sistema” que não o aceita no poder. Dez dias após a operação, quando a PF apreendeu em sua residência celular, notebook e HDs, entre outros materiais, o prefeito lançou a sua pré-candidatura a governador do RN em evento realizado em Natal com apoio da federação União Progressista, PSD, MDB e Solidariedade.

Veja o que se sabe, até agora, sobre a investigação, baseado nas informações da própria Polícia Federal:

1 – Uma estrutura criminosa foi formada para desviar recursos da saúde pública por meio de contratos fraudulentos com as empresas DisMed Distribuidora de Medicamentos e Drogaria Mais Saúde, que têm como sócios os investigados Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares.

2 – No curso das investigações foi descoberta o que a PF chama de “Matemática de Mossoró”, que é a forma como os recursos desviados eram distribuídos. Diálogos interceptados pela PF revelam que Allyson Bezerra receberia 15% de propina e uma pessoa identificada como “Fátima” ficava com 10%.

3 – O vice-prefeito Marcos Bezerra (União Brasil) também é colocado pela PF no topo da estrutura criminosa. Os investigadores afirmam, com base nos áudios interceptados, que o dinheiro da propina seria para campanha eleitoral de Allyson Bezerra e futura campanha eleitoral de Marcos Bezerra.

4 – Almir Mariano, ex-secretário da Saúde e atual titular da Secretaria de Programas e Projetos da gestão Allyson Bezerra, é apontado pela PF como responsável pelas condições institucionais para o funcionamento do esquema criminoso. Em sua casa, a Polícia Federal encontrou dinheiro distribuído em pertences, mochilas e gavetas que somaram R$ 57.500,00.

5 – Atual secretária de Saúde, Morgana Dantas, segundo a PF, teria atuado no nível intermediário, garantindo as condições institucionais para o funcionamento do esquema.

6 - A Polícia Federal identificou uma conta ‘laranja’, em nome de uma estudante menor de idade, usada pelos operadores do esquema criminoso. Uma filha de Oseas Monthalggan e Roberta Ferreira Praxedes da Costa - mulher do sócio da DisMed e proprietária da Drogaria Mais Saúde, teve a conta bancária utilizada pelos pais para lavar dinheiro do esquema, segundo a investigação. Ela recebeu R$ 427 mil entre julho de 2022 e junho de 2023.

7 – As investigações apontam que o esquema movimentou R$ 13,5 milhões pagos a uma empresa fornecedora de medicamentos que, segundo a Polícia Federal, repassava vultosas propinas ao prefeito de Mossoró.

8 – Considerando esse percentual e o valor total dos pagamentos executados pela Prefeitura de Mossoró, beneficiando a DisMed entre 2022 e 2025, Allyson Bezerra pode ter recebido mais de R$ 2,2 milhões em propina da empresa investigada.

9 – A Polícia Federal descobriu grande volume de aquisição de medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão arterial. Só no exercício de 2025, a gestão Allyson Bezerra adquiriu aproximadamente 8 milhões de comprimidos de medicamentos para hipertensão, junto às empresas investigadas.

10 – Duas servidores públicas receberam mais de meio milhão de reais da DisMed Distribuidora. A Polícia Federal afirma que elas tinham ligação com o gabinete do prefeito Allyson Bezerra, mas a defesa nega.

Fonte Jornal De Fato

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