quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Governo e Sudene firmam parceria para conectar Mossoró e Caiçara do Norte à Ferrovia Transnordestina.

Foto: Raiane Miranda

O Governo do Estado e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) firmaram uma parceria para a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) de um novo trecho ferroviário no Rio Grande do Norte.

O projeto visa conectar a Transnordestina — um dos principais corredores ferroviários do país — aos municípios de Mossoró e Caiçara do Norte, onde será instalado o futuro Porto-Indústria Verde.

A parceria foi formalizada nessa terça-feira (18) entre a governadora Fátima Bezerra e o superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre. A autarquia vai contratar um estudo técnico para estabelecer as bases do projeto logístico, além de definir o modelo de contratação para a execução do empreendimento.

Segundo a governadora Fátima Bezerra, o projeto tem potencial para ampliar as rotas logísticas do Rio Grande do Norte, reduzir custos e aumentar a capacidade de escoamento da produção regional.

“O superintendente da Sudene acolheu nossa reivindicação para a realização de um estudo, financiado pela própria autarquia, que vai definir o traçado exato dessa inclusão, ligando o Porto-Indústria Verde e Mossoró até Iguatu, no Ceará. Inserir o Rio Grande do Norte na Transnordestina significa abrir um novo corredor logístico e garantir desenvolvimento para todas as cidades que serão abrangidas pelo projeto”, disse Fátima Bezerra.

“Vai permitir o escoamento do sal marinho, frutas destinadas à exportação e equipamentos relacionados aos setores eólico, solar e de hidrogênio verde”, acrescentou.

O superintendente da Sudene explicou que os levantamentos deverão considerar o traçado, as condições de operação, as demandas de transporte e os aspectos econômicos e financeiros do empreendimento.

“O objetivo do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômico-Financeira (EVTE) é definir com precisão de engenharia o traçado, os custos de desapropriação e os investimentos necessários para a execução física do trecho”, disse.

Foto: Raiane Miranda

De acordo com Francisco Ferreira Alexandre, além de priorizar a logística integrada de grandes cargas, como minerais, grãos e insumos energéticos, as diretrizes do estudo de viabilidade deverão contemplar, de forma prospectiva, a possibilidade de a nova linha férrea operar o transporte de passageiros em uma etapa futura.

A implementação desse serviço de transporte coletivo, segundo ele, estará condicionada à celebração de acordos operacionais e comerciais específicos.

“Esse projeto será fundamental para levar desenvolvimento, crescimento e transformação para cidades como Apodi e Pau dos Ferros, por exemplo”, complementou.

Conexão com o Porto-Indústria Verde

A governadora Fátima Bezerra ressaltou que a meta do projeto é conectar a ferrovia ao futuro Porto-Indústria Verde, em Caiçara do Norte, ampliando as alternativas de transporte para a região.

“A estrutura vai atender a todas as operações de exportação e importação, além de atividades relacionadas às energias renováveis, que são o foco do futuro terminal portuário potiguar”, destacou.

Para o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado Neto, a inclusão do Rio Grande do Norte na malha ferroviária regional representa um marco estratégico para a interiorização do desenvolvimento industrial no semiárido.

Ainda segundo ele, o projeto criará um novo eixo de escoamento e suprimento, reduzindo custos de frete e elevando a competitividade dos portos e das bacias produtivas do estado na integração com mercados vizinhos.

“Uma vez integrado à Transnordestina — passando por Mossoró, Apodi e Pau dos Ferros —, o porto ganhará ainda mais relevância. Isso nos permitirá transportar hidrogênio, amônia para fertilizantes, sal e frutas pela ferrovia, aumentando expressivamente a nossa competitividade”, ressaltou.

Transnordestina

A Ferrovia Transnordestina foi concebida para integrar o interior produtivo do Nordeste aos principais portos da região e reduzir os custos de escoamento da produção agrícola e mineral.

Iniciada em 2006, a obra terá mais de 1,2 mil quilômetros de extensão, ligando o polo produtor de grãos em Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE).

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