Uma simulação matemática baseada nos resultados oficiais das eleições de 2026 para deputado federal no Rio Grande do Norte aponta que uma eventual mudança no critério de distribuição das sobras eleitorais não alteraria a composição da bancada potiguar na Câmara dos Deputados.
O levantamento foi motivado pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8036, apresentada pelo PDT ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ação questiona o atual sistema das maiores médias, utilizado na distribuição das sobras eleitorais, e está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
O partido argumenta que o modelo pode favorecer a concentração de mandatos em determinadas legendas. A ação, no entanto, não apresenta uma fórmula substituta definitiva. Para avaliar um possível impacto, a simulação adotou o critério dos maiores restos.
Nas eleições de 2026, o Rio Grande do Norte registrou 1.967.700 votos válidos para deputado federal. Com oito vagas em disputa, o quociente eleitoral foi de 245.962 votos.
Na primeira distribuição, o PL conquistou três cadeiras, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, ficou com duas, e a Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, conquistou uma. Restaram duas vagas para a distribuição das sobras.
Pelo atual método das maiores médias, a União Progressista ficou com a primeira vaga remanescente e a Federação Brasil da Esperança com a segunda. O resultado final foi de três deputados para o PL, três para a Federação Brasil da Esperança e dois para a União Progressista.
Na simulação pelo critério dos maiores restos, foram considerados os votos que não foram convertidos em cadeiras na primeira etapa. A União Progressista ficou com 241.925 votos restantes, seguida pela Federação Brasil da Esperança, com 143.866, e pelo PL, com 34.494.
As duas vagas remanescentes também seriam destinadas à União Progressista e à Federação Brasil da Esperança, mantendo exatamente a mesma divisão das oito cadeiras.
Thabatta mantém mandato e Robinson segue suplente
Com o resultado, a deputada federal eleita Thabatta Pimenta (PV), que recebeu 92.743 votos, manteria o mandato nos dois modelos analisados. Já Robinson Faria (PP), que obteve 123.008 votos, continuaria na suplência, pois a Federação União Progressista não conquistaria uma terceira cadeira.
Robinson terminou a disputa interna da federação apenas 32 votos atrás de João Maia (PP), eleito com 123.040 votos.
A diferença na votação individual dos candidatos, no entanto, não define isoladamente quem ocupa uma cadeira. No sistema proporcional, as vagas são conquistadas inicialmente pelos partidos e federações e, posteriormente, preenchidas pelos candidatos mais votados de cada grupo, conforme as regras legais.
A simulação reforça que, caso o STF optasse pela substituição do método das maiores médias pelo critério dos maiores restos, mantidas as demais condições do cálculo, não haveria mudança na bancada federal do Rio Grande do Norte.
O levantamento, porém, não antecipa o julgamento da ADI 8036. O Supremo poderá adotar outros critérios ou definir os efeitos de uma eventual decisão de forma diferente.
Por Guilherme Fernandes

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