Quase 40% das crianças de 0 a 9 anos do Rio Grande do Norte têm excesso de peso. Veja os dados na sequência dessa reportagem. Para especialistas, o cenário é preocupante e exige uma mudança de rota urgentemente, a partir da conscientização de que se trata de um problema de saúde pública e reconhecido como um desafio no Brasil e no mundo.
Na próxima quarta-feira, 3, o tema estará em debate no Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil. A data chama a atenção para reforçar a necessidade da prevenção desde os primeiros anos de vida.
Dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o Brasil pode chegar a ser, até 2030, o 5º país no mundo com mais crianças e adolescentes obesos. O levantamento alerta que, se não forem tomadas ações reais, as chances de mudar essa situação são de apenas 2%.
Os dados parciais de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) - consultados na quinta-feira, 28 - mostram que, no Rio Grande do Norte, crianças de 0 a 9 anos apresentam 39% de excesso de peso (incluindo sobrepeso, obesidade e obesidade grave), o que equivale a 39 em cada 100 crianças nessa faixa etária. No mesmo recorte, foram registrados 81.040 casos de excesso de peso infantil no estado.
Essa semana, a pediatra Mariana Grigoletto, que é membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), alertou que os dados da Vigilância Alimentar revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Segundo ela, além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce.
Brasil tem mais de 1 milhão de crianças com obesidade
O crescimento da obesidade infantil é visível nos dados nacionais. Conforme dados do Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, com base nas informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), de 2025 (parcial), do Ministério da Saúde, no Brasil foram registradas 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave.
Isso representa 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade, o que equivale a 9 em cada 100, e 5,97% com obesidade grave, ou cerca de 6 em cada 100 nessa mesma faixa etária.
No mesmo período, conforme o SISVAN, 8.230.705 crianças apresentavam peso adequado (eutrofia), representando 62,80% do total — cerca de 63 em cada 100 crianças. Embora a maioria esteja dentro da faixa adequada, o dado também acende um alerta: aproximadamente 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso, obesidade ou obesidade grave, reforçando a necessidade de estratégias preventivas desde a infância.
As principais consequências são: aumento do risco para doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares; impactos psicológicos como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.
Especialistas afirmam que é fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo.
Prevenção vem com hábitos saudáveis no dia a dia
Para prevenir a obesidade infantil, a adoção de hábitos saudáveis no dia a dia é fundamental. É importante manter uma alimentação balanceada, com maior consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, além de diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, é uma das principais recomendações para a prevenção da doença.
A pediatra Mariana Grigoletto destaca que é fundamental praticar atividades físicas regularmente e limitar o tempo em frente às telas, como celulares, TVs e outros aparelhos eletrônicos. “Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil.”
Hábitos não saudáveis
As alterações no padrão alimentar durante a infância têm refletido nos indicadores de saúde e nutrição do país. Informações do SISVAN ressaltam como esses costumes estão se alterando nos primeiros anos de vida, especialmente em relação à qualidade da alimentação.
Conforme os indicadores apresentados, as crianças consomem cada vez mais alimentos ultraprocessados ??e bebidas açucaradas à medida que crescem. Isso mostra que os hábitos alimentares não saudáveis ??se intensificam ao longo da infância.
Fonte Jornal de Fato

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